segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008



Aquele cheiro conhecido, por muito tempo esquecido, se apoderou de mim.
Fez-me relembrar tempos de criança, no quintal, no pseudo-jardim.
Passando por uma via expressa, muitos carros, todos os cheiros, cores e texturas da cidade em movimento.
No meio do tumulto, da janela do ônibus, a memória foi aguçada, e parte da historia foi lembrada.

Cheiro de infância.
Cheiro de sonho.
Cheiro de lembrança.
Cheiro de futuro.
Cheiro de esperança.

*
Quando criança tinha muito, muito medo de uma senhora que morava na minha rua, ela era doente mental, andava na minha casa por muito tempo, era amiga da minha vó, eu era amiga da filha dela, mas não sei o certo, ela tinha muita raiva de mim.
Aquilo me amedrontava, porque ela me atormentava, quando passava na rua, no centro da cidade, ela começava a me esculhambar, a chamar atenção de todo mundo.
E eu tinha medo, ela devia saber daquilo, o quanto tinha poder sobre mim, poder sobre aquela criança, adolescente, do quanto ela me causava temor.
Do quanto me custava encontrá-la na rua e não saber o que ela faria (na verdade ela nunca fez nada, a não ser falar muito, ficar muito atarantada e me amedrontar), se faria algo mesmo, agredir-me, essas coisas, era uma raiva tão viva, um ódio tão explicitado, não explicado.
E da minha tenra idade até minha adolescência parecia que aquilo tudo existiria pra sempre, que ela era imortal, aquele desconforto não tinha fim.
Daqueles tempos pra cá, passaram-se quase duas décadas, não sei onde ela está, não tenho noticias há muito tempo.
A época que parecia não ter fim, todo o medo que existia, isso tudo aconteceu há quase duas décadas, como parece pequeno hoje, o quão grande era antes.
Quando estamos no olho do furacão, tudo é muito confuso, intenso, o tempo é muito arrastado, a paciência é curta e as coisas parecem que nunca vãocontecer.
As épocas vão passando, e tudo que parecia não ter fim, na verdade tem, tudo se resolver, tudo tem seu tempo.
Alma pra descansar, coração pra sentir, sonhar e “tempo” pra viver.

Nenhum comentário: